Quando o medo nos assalta…

Submitted by Dr. Roberto Silva on Fri, 01/04/2019 - 06:26

Sentir medo não é, necessariamente, algo errado. Todo ser humano tem quatro sentimentos básicos: raiva, medo, tristeza e alegria. Então, medo é um sentimento comum ao ser humano. No entanto, é preciso avaliar como o elaboramos, trabalhando-o de modo que ele não tome conta da nossa vida e a transforme em um desastre.

Sei que muitos, talvez até mesmo você, de uma maneira ou outra se deparam com tal sentimento. De repente a notícia de que seu cônjuge está com uma doença grave; seu chefe pede sua presença em seu escritório e o espectro da demissão faz seu coração bater acelerado; seu filho tem tirado notas péssimas na escola e a diretora o manda chamar. Todos esses fatores, e tantos outros, provocam medo.

Ele é um companheiro constante e, geralmente, não é bem vindo, mas segue os nossos passos como uma sombra a nos apavorar. Ele não ataca apenas aqueles que, humanamente, são considerados fracos, alvos em potencial. Os mais fortes, mesmo que secretamente, esbarram nele e sentem-se tremer.

Tal sentimento não se restringe a apenas uma pessoa. Como um virus pernicioso, ele se espalha contaminando um grupo e até uma multidão.

O medo é perigoso pois ele traz a possibilidade de algemar o indivíduo, limitando e inibindo sua liberdade de ação e movimentos. O medo paraliza o indivíduo.

Na Bíblia – Números 13 e 14, encontramos uma história sobre o povo de Israel que mostra o quanto o medo é prejudicial.

O povo de Israel estava liberto da escravidão egípcia sob a liderança firme de Moisés e a poderosa mão de Deus. Desde que Israel saíra do cativeiro no Egito, Deus não deixara um só dia de demonstrar seu amor e cuidado por aquelas pessoas, que tantas vezes corresponderam com desconfiança, dúvidas, murmurações e ingratidão. Nunca lhes faltou alimento, água e também milagres.

Do lugar onde estavam acampados era possível avistar, do outro lado do rio, os muros altos das cidades a serem conquistadas, sua terra prometida.

Atendendo a orientação do Senhor, Moisés enviou doze homens para ver o local para onde o povo estava indo, como Deus havia prometido. Após quarenta dias eles regressaram e Moisés reuniu o povo para ouvir os relatórios. Enquanto dois dos que foram enviados apresentaram um relarório satifatório, dez deles apresentaram a Moisés e ao povo uma visão negativa e amedrontada sobre o povo da terra a ser conquistada.

Eis uma questão para se pensar: Como homens inteligentes, com compreensão da importância da natureza da sua tarefa, puderam encarar os fatos de modo tão divergente? Dez homens viram os gigantes, dois viram as possibilidades. A explicação é muito simples: Dez se amedrontaram e se encolheram diante do suposto inimigo, enquanto dois tiveram visão e confiaram na promessa de Deus.

O medo descontrolado levou Israel ao desespero, pois o povo distorceu o que estava realmente acontecendo. O relatório falso e exagerado dos dez espias, mandados para sondar o lugar que os israelitas deveriam tomar para si, modificou e acovardou a mente daquelas pessoas quanto à certeza de que seu exército venceria a batalha contra os habitantes daquelas cidades.

O medo pintou um quadro assustador no qual os israelitas não passavam de gafanhotos pisoteados pelos gigantes daquela terra.

Da mesma maneira nos sentimos quando dominados pelo medo somos confundidos em nossa mente sobre as nossas possibilidades.

Vencer o medo é muito mais simples do que se costuma pensar. O método mais comum é o enfrentamento e uso da força de vontade - cara e coragem. Quem sente medo costuma ter o diálogo interno muito "alto", ou seja, aquela conversa que temos com a gente mesmo que é normal, fica um pouco exacerbada e atrapalha para pensar com coerência. Às vezes esse diálogo pode não ser produtivo, por isso, devemos ter cuidado com o que pensamos.

Quando somos dominados pelo sentimento, a nossa maneira de pensar não será a  melhor, mas quando colocamos em ordem os nossos pensamentos e agimos da maneira correta, o sentimento virá como resultado e não como agente motivador. 

Creia no seu potencial e, acima de tudo, confie naquele que é maior que você e está com sua mão estendida para te ajudar em seus momentos de crise.

Pense nisso!